13.10.04

O progresso exponencial da civilização

Hoje, podemos não pensar nada ao fazer um passeio num domingo num carro com um motor de duzentos cavalos. Mas a energia média disponível para o ser humano durante a maior parte de nossa evolução foi consideravelmente menor. Durante esse período, a fonte de energia básica era força de nossas próprias mãos, cerca de um oitavo de cavalo-vapor. Os seres humanos vagavam pela terra em pequenos bandos, caçando e coletando em busca de comida em chusmas muito parecidas com as dos animais, usado apenas a energia de seus próprios músculos. De um ponto de vista energético, isso mudou apenas nos últimos cem mil anos. Com a invenção de ferramentas manuais, os seres humanos puderam ampliar a força de seus membros. Lanças ampliaram a força de seus braços, clavas a força de seus punhos e facas o poder de seus maxilares. Nesse período, seu rendimento energético dobrou para cerca e um quarto de cavalo-vapor. Nos cerca de dez mil anos seguintes, o rendimento energético de um ser humano dobrou novamente. A principal razão desta mudança foi provavelmente o fim da idade do gelo, que havia retardado o desenvolvimento humano por milhares de anos. A sociedade humana, que consistiu em pequenos bandos por centenas de milhares de anos mudou com a descoberta da agricultura logo depois que o gelo derreteu. Bandos errantes de ser humanos, não tendo que perseguir caça através das planícies e florestas, fixaram-se em aldeias estáveis onde os produtos agrícolas podiam ser colhidos ao longo do ano. Alem disso, com o derretimento da camada de gelo veio a domesticação de animais como cavalos e bois; a energia disponível para um ser humano se elevou para aproximadamente um cavalo vapor. Com o início de uma vida estratificada, agrária, veio a divisão do trabalho, até que a sociedade sofreu uma importante mudança: a transição para uma sociedade escravista. Isso significou que uma pessoa, o proprietário de escravos, podia controlar a energia de centenas de homens. Esse súbito aumento em energia tornou possível uma brutalidade desumana e também as primeiras verdadeiras cidades, onde reis podiam obrigar seus escravos a usar grandes gruas, alavancas e polias para erguer fortalezas e monumentos para eles próprios. Por causa desse aumento energético, templos, torres, pirâmides e cidades surgiram dos desertos e das florestas. De um ponto de vista energético, para cerca de 99,99% da população humana, o nível tecnológico, de nossa espécie estava apenas um degrau acima dos animais. Foi somente nas últimas centenas de anos que os seres humanos passaram a ter mais que um cavalo-vapor a sua disposição. Uma mudança decisiva veio com a Revolução Industrial. A descoberta da lei universal da gravitação e do movimento de Newton tornou possível reduzir a mecânica a um conjunto de equações bem definidas. Assim, a teoria clássica da força gravitacional de Newton, em certo sentido, abriu caminho para a moderna teoria das máquinas movidas a vapor no século XIX. Com o vapor, o ser humano podia controlar dezenas a centenas de cavalos-vapor. Por exemplo, as ferrovias abriram continentes inteiros ao desenvolvimento, e navios a vapor abriram o comercio internacional moderno. Ambos foram energizados pela força do vapor, aquecido pelo carvão. A humanidade precisou de dez mil anos para criar a civilização moderna sobre a face da Europa. Com máquinas movidas a vapor e mais tarde pro óleo, os Estados Unidos estavam industrializados dentro de um século. Assim, o domínio de apenas uma única força fundamental da natureza aumentou a energia disponível para um ser humano e mudou a sociedade irreversivelmente. No fim do século XIX, o domínio da força eletromagnética por Maxwell mais uma vez desencadeou uma revolução na energia. A força eletromagnética tornou possível a eletrificação de nossas cidades e nossas casas, aumentando exponencialmente a versatilidade e o poder de nossas máquinas. Motores a vapor estavam agora sendo substituídos por poderosos dínamos. Nos últimos cinqüenta anos, a descoberta da força nuclear aumentou a força disponível para um único ser humano por um fator de milhão por que a energia das reações químicas é medida em elétrons-volt, enquanto a energia da fissão e fusão nucleares é medida em milhões de elétrons volt, temos um aumento de um milhão de vezes na força que nos é disponível. A análise da história das necessidades energéticas da humanidade mostra graficamente como apenas durante 0,01% de nossa existência manipulamos níveis de energia superior aos dos animais. No entanto no período de alguns poucos séculos desencadeamos vastas quantidades de energia através das forças eletromagnética e nuclear.

11.10.04

Além do Futuro

A futurologia, ou a previsão do futuro com base em julgamento científico razoável, é uma ciência arriscada. Alguns nem a chamariam ciência em absoluto, mas algo que mais parece embromação ou bruxaria. A futurologia ganhou merecidamente essa reputação execrável por que todo levantamento “científico” conduzido por futurologistas sobre as décadas seguintes provou-se redondamente errado.

O que faz da futurologia uma ciência tão primitiva é que nossos cérebros pesam linearmente, ao passo que o conhecimento avança exponencialmente. Por exemplo, levantamentos de futurologistas mostraram que eles tomam a tecnologia e simplesmente a dobram ou triplicam para prever o futuro. Levantamentos feitos na década de 1920 mostraram que os futurologistas predisseram que teríamos, dentro de algumas décadas, enormes frotas de pequenos dirigíveis levando passageiros através do Atlântico.

Mas a ciência se desenvolve também de maneiras inesperadas. A curto prazo, quando extrapolamos para os próximos anos, é uma aposta certa afirmar que a ciência vai avançar e alcançar aperfeiçoamentos estáveis, quantitativos, da tecnologia existente. No entanto ao extrapolarmos para algumas décadas mais tarde, verificamos que rupturas qualitativas em novas áreas se tornam o fator dominante, com novos setores se abrindo em lugares inesperados.

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